Entre Cicatrizes e Recomeços por Cleide Neves | Crônicas Feministas

Entre Cicatrizes e Recomeços: Histórias que Só Elas Sabem Contar | Crônicas Feministas | ACCA
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Cleide Neves Guarda
Psicóloga · Professora Universitária

Entre Cicatrizes e Recomeços: Histórias que Só Elas Sabem Contar

Por Cleide Neves Guarda
20 de março de 2026 Crônicas Feministas ACCA
Entre cicatrizes invisíveis e recomeços silenciosos, a força feminina insiste em existir.

A vida de uma mulher raramente segue uma linha reta. Ela é feita de curvas, pausas inesperadas, quedas silenciosas e recomeços que nem sempre são vistos por quem observa de fora. Há histórias que se escrevem no rosto, outras no coração, e algumas permanecem escondidas em lugares onde só a própria mulher sabe chegar.

Existem cicatrizes que não aparecem no espelho. São marcas deixadas por palavras duras, por silêncios que doeram mais do que gritos, por expectativas que o mundo colocou sobre seus ombros. Desde cedo, muitas mulheres aprendem que precisam ser fortes — fortes para cuidar, fortes para resistir, fortes para continuar mesmo quando o cansaço parece maior que a esperança.

A força não nasce da ausência de dor. Ela nasce da decisão de continuar.

Mas a força de uma mulher não nasce da ausência de dor, pelo contrário, ela nasce justamente da capacidade de continuar.

Quantas vezes uma mulher se reinventou em silêncio? Quantas vezes ela precisou juntar pedaços de si mesma enquanto ainda cuidava de tudo e de todos ao seu redor? Há dias em que a coragem dela não aparece em grandes gestos, mas em pequenas decisões: levantar da cama, respirar fundo, tentar mais uma vez.

E mesmo assim, o mundo ainda se surpreende quando uma mulher decide recomeçar.

Recomeçar depois de uma decepção.

Recomeçar depois de perder algo que parecia essencial.

Recomeçar quando todos pensavam que ela já tinha dado tudo de si.

Cada recomeço carrega uma história que ninguém viu.

Talvez o que muitas pessoas não compreendam é que cada recomeço carrega uma história inteira por trás. Uma história feita de dúvidas, de noites mal dormidas, de conversas internas que ninguém ouviu.

Ser mulher é, muitas vezes, aprender a caminhar com essas histórias dentro do peito. Não como peso, mas como parte do que se tornou.

As cicatrizes não são apenas lembranças da dor. Elas também são provas de sobrevivência. São marcas que dizem: “Eu estive lá. Eu passei por isso. E ainda estou aqui.”

Estar aqui já é um ato de coragem.

E estar aqui já é, por si só, um ato de coragem.

Porque há uma beleza silenciosa na mulher que se reconstrói. Na mulher que aprende a olhar para o próprio passado sem negar o que viveu, mas também sem permitir que ele defina todo o seu futuro.

Ela entende que cada cicatriz conta uma parte da sua história, mas não escreve o último capítulo.

Talvez seja por isso que tantas mulheres carreguem dentro de si uma força que não precisa ser anunciada. Ela aparece no cuidado, na persistência, na forma como continuam acreditando em dias melhores mesmo quando a realidade parece dizer o contrário.

A esperança sempre encontra um lugar para nascer de novo.

Entre cicatrizes e recomeços, elas seguem escrevendo suas histórias. Histórias que nem sempre são contadas em voz alta, mas que vivem em cada passo, em cada escolha e em cada novo começo.

E talvez a maior verdade seja esta: uma mulher pode até se ferir ao longo do caminho, mas dentro dela sempre existe um lugar onde a esperança aprende a nascer de novo.

Mini bio

Cleide Neves Guarda é mãe de 2 meninas lindas, psicóloga (CRP: 09/16788), professora universitária, especialista em Educação, mestre em Psicologia Organizacional e escritora de reflexões sobre saúde emocional, autocuidado e desenvolvimento humano.

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