A Música é uma Mulher Preta
A cantora, atriz e produtora cultural Nina Soldera reflete sobre arte, militância, ancestralidade e autonomia feminina.
Série: Autonomia Feminina
Publicação: 23 de março de 2026
Arte negra como potência de transformação
O programa ACCA Autonomia Feminina recebe a cantora, atriz e produtora cultural Nina Soldera para uma conversa profunda sobre arte, militância e cultura negra. Com mais de trinta anos de trajetória artística, Nina construiu uma carreira marcada pela mistura entre música, teatro, ativismo e produção cultural.
Inspirada por grandes referências da cultura negra brasileira, como Elza Soares, Ruth de Souza e Zezé Motta, sua trajetória revela como a arte pode ser instrumento de denúncia, memória e construção coletiva de novos caminhos.
Trajetória artística e identidade
Nascida em Porto Alegre e criada em Belém do Pará, Nina carrega em sua história influências culturais diversas. Filha de mãe goiana e pai gaúcho, sua formação artística começou ainda na adolescência, quando descobriu na escola pública um espaço de experimentação e descoberta da arte.
Desde então, construiu uma carreira que atravessa música, teatro e produção cultural, sempre conectando estética, política e identidade. Para Nina, a arte é também uma forma de recriar mundos e transformar realidades.
“A arte foi o ar que me permitiu existir e reinventar o mundo.”
Mulheres negras na arte e na política cultural
Durante a conversa, Nina reflete sobre os desafios enfrentados por mulheres negras no campo artístico. Racismo estrutural, assédio, invisibilização e falta de oportunidades ainda fazem parte da realidade de muitas artistas.
Mesmo assim, novas vozes surgem e ampliam o campo cultural brasileiro. A artista destaca a importância das redes de apoio entre mulheres, da militância e da ocupação de espaços institucionais.
Hoje, Nina também atua como conselheira municipal de cultura em Goiânia e integra o Programa Nacional dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura, participando diretamente da construção e difusão de políticas públicas culturais.
Arte, coletividade e processos criativos
Entre seus projetos artísticos está a banda Mundo Humano, que mistura samba, rock, rap e influências afro-latinas, criando uma sonoridade contemporânea e politizada. A proposta é romper com estereótipos e ampliar os espaços da música negra na cena cultural.
Além da música, Nina também atua no teatro e em projetos coletivos como o grupo Jambalau e a performance Ancestrais, iniciativas que unem arte, memória e espiritualidade como caminhos de cura e fortalecimento coletivo.
Autonomia feminina e caminhos para artistas
No segundo episódio da conversa, Nina compartilha dicas importantes para artistas que desejam desenvolver seus próprios projetos culturais e acessar editais de financiamento.
Entre as orientações, ela destaca a importância de manter registros da própria trajetória artística, desenvolver portfólios organizados e compreender o funcionamento das políticas públicas de cultura.
Para a artista, autonomia feminina passa também pela capacidade de produzir, organizar e sustentar a própria trajetória criativa.
“Recomeçar não é fracasso. É prova de que seguimos vivas para criar novos caminhos.”
🎧 Episódios do Programa
Episódio 51 — A música é uma mulher preta Episódio 52 — Arte, política cultural e autonomia femininaFortaleça Vozes que Transformam Cultura
O programa Autonomia Feminina promove debates sobre cultura, direitos, arte e igualdade de gênero, ampliando o acesso ao conhecimento e fortalecendo redes entre mulheres.
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