25 de Novembro: Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher
Por Jade Klaser
Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1999, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher é um marco global que escancara uma verdade difícil: nenhuma sociedade é democrática enquanto metade de sua população segue vivendo sob a ameaça constante de agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais e institucionais.
O 25 de novembro é uma data para denunciar, para reconhecer que a violência de gênero é estrutural, política e histórica. E que, apesar de avanços, o mundo ainda falha gravemente em proteger mulheres.
Como lembra Sueli Carneiro, “não existe democracia racial, nem democracia de gênero, onde vidas negras e vidas femininas seguem sendo descartáveis”. A frase é uma síntese do que este dia representa: urgência, luto e ação.
Origens de uma data marcada por sangue e resistência
A escolha do 25 de novembro homenageia Patria, Minerva e María Teresa Mirabal, irmãs dominicanas brutalmente assassinadas em 1960 por resistirem à ditadura de Rafael Trujillo. As “Mariposas”, como eram chamadas, tornaram-se símbolos internacionais da luta política de mulheres contra regimes que se sustentam pela violência patriarcal.
A data, portanto, não nasce de uma convenção diplomática, mas de um feminicídio político: lembra ao mundo que violência contra mulheres é modus operandi de sistemas de poder, não exceção.
Violência de gênero é um projeto, não um acidente
A filósofa Judith Butler afirma que “o gênero é um regime normativo que pune quem o desafia”. No Brasil, essas punições ganham contornos ainda mais cruéis quando se entrelaçam com raça, classe e território.
Mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio no país, mulheres indígenas sofrem violência sexual em contextos de invasão territorial, mulheres trans enfrentam o maior índice de assassinatos do mundo.
Como explica Djamila Ribeiro, “a violência contra mulheres não é homogênea, ela é atravessada pela desigualdade”.
E num país onde o feminicídio acontece, em média, a cada seis horas, não há espaço para romantizações: estamos diante de uma crise permanente de direitos humanos.
O silêncio das instituições é parte do problema
A violência contra mulheres não opera só no corpo: opera nas instituições. Ela está:
– nas delegacias que desencorajam denúncias;
– no Judiciário que relativiza agressões;
– na mídia que sexualiza vítimas;
– nas redes sociais que amplificam o ódio;
– na falta de políticas públicas com orçamento real;
– na prática cotidiana de homens que silenciam diante da violência.
Como escreveu bell hooks, “o patriarcado só persiste porque é continuamente renovado”. A violência é essa renovação.
A ACCA e seu compromisso histórico no enfrentamento à violência contra mulheres
A ACCA compreende que combater a violência não é tarefa para um único dia no calendário, é um trabalho contínuo, político e formador. Por isso, ao longo dos anos, a instituição desenvolveu ações, campanhas, programas e conteúdos que se tornaram referência no debate sobre autonomia, igualdade e proteção das mulheres.
Entre as iniciativas, destacam-se:
• Mulheres Conectadas Contra a Violência Digital
Uma campanha robusta que combate a violência digital de gênero, oferecendo cartilha de orientação, debates, lives, guias de proteção e reflexões sobre misoginia online: ampliando acesso à informação e fortalecendo a segurança digital de mulheres.
Acesse: https://culturacidadeearte.org/category/mulheres-conectadas/
• ACCA: Autonomia Feminina
Série e programa multimídia que aborda liberdade, direitos, igualdade, violência, redes de apoio e os desafios da vida das mulheres contemporâneas.
Veja episódios: https://culturacidadeearte.org/category/autonomia-feminina/
• Reportagens, análises e artigos aprofundados
A ACCA publica matérias que desconstroem mitos, denunciam retrocessos, discutem políticas públicas e aprofundam reflexões sobre violência, misoginia, racismo e desigualdade de gênero.
Leia: https://culturacidadeearte.org/atualidades/
• Conteúdos educativos
Guias de proteção, textos sobre misoginia internalizada, análises críticas sobre cultura de ódio e publicações que ajudam mulheres a reconhecer e enfrentar as violências cotidianas.
Cartilhas: https://culturacidadeearte.org/category/mulheres-conectadas/
• Construção de uma comunidade de mulheres
A ACCA articula uma rede de sororidade, apoio e conscientização: fortalecendo pertencimento e mobilização coletiva, pilares essenciais na luta antiviolência.
Conheça: https://culturacidadeearte.org/
Por que o 25 de novembro ainda é necessário: e ainda é insuficiente
A data ajuda a iluminar o que tantas vezes se tenta apagar. Mas não basta iluminar, é preciso transformar. E transformação exige:
– orçamento para políticas públicas;
– formação continuada;
– responsabilização efetiva de agressores;
– fortalecimento de redes de acolhimento;
– enfrentamento ao racismo e à desigualdade;
– presença de mais mulheres, especialmente negras, em espaços de decisão.
Como sintetiza Angela Davis, “não aceitamos a violência só porque ela é antiga”.
E é justamente por essa recusa que o 25 de novembro permanece urgente.
Para seguir aprendendo, agindo e fortalecendo redes: participe das iniciativas da ACCA
A luta é coletiva, e você faz parte dela.
Acesse os programas e séries da ACCA para aprofundar debates sobre violência, autonomia e direitos:
https://culturacidadeearte.org/category/autonomia-feminina/
Leia e compartilhe conteúdos e reportagens que trazem análises críticas sobre o enfrentamento à violência:
https://culturacidadeearte.org/atualidades/
Baixe a cartilha da campanha Mulheres Conectadas Contra a Violência Digital e compartilhe com sua rede:
https://culturacidadeearte.org/category/mulheres-conectadas/
Participe das lives e formações, espaços de troca que ampliam conhecimento e fortalecem laços de resistência:
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Amplie a roda: convide outras mulheres a conhecer a ACCA, seus conteúdos e sua comunidade:
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