AUTONOMIA FEMININA: DA CONSCIÊNCIA À AÇÃO – REFLEXÕES E APRENDIZADOS

Em março, mês do Dia Internacional da Mulher, a ACCA (Associação Cultura, Cidade e Arte) lançou a campanha “Autonomia Feminina: Da Consciência à Ação”, propondo um novo olhar para o 8M. Em vez de encarar essa data apenas como celebração, a iniciativa buscou ampliar a compreensão sobre a autonomia feminina — que envolve a liberdade de definir rumos profissionais, relações afetivas, direitos sobre o próprio corpo e participação política. Ao longo de duas edições do programa “ACCA: Autonomia Feminina”, convidadas de diferentes áreas compartilharam estudos, vivências e caminhos para superar barreiras invisíveis e construir um ambiente social mais equitativo.

8M e a Nova Perspectiva de Autonomia

A campanha enfatizou a importância de retomar o significado histórico do 8M, convidando cada mulher a reconhecer e fortalecer sua autonomia. “Quando falamos em autonomia, não estamos lidando apenas com escolhas pessoais, mas também com a responsabilidade de transformar o ambiente em que vivemos”, pontuou Márcia Pelá, presidente da ACCA e mediadora dos diálogos. A partir desse princípio, surgiram debates sobre formas concretas de enfrentamento das desigualdades, valorizando tanto o protagonismo individual quanto a ação em rede.

Para além das homenagens habituais, o 8 de Março tem raízes em lutas históricas por direitos civis, trabalhistas e políticos. Ainda hoje, muitas dessas conquistas precisam ser relembradas e ampliadas — como o combate à violência de gênero, a busca por equidade salarial e a garantia de espaços de liderança para as mulheres. O resgate das origens do 8M e a análise dos desafios contemporâneos mostram que a autonomia feminina continua sendo o fio condutor que conecta passado, presente e futuro.

Misoginia Internalizada e Violência Digital: Primeiro Episódio

O primeiro episódio de “ACCA: Autonomia Feminina”, mediado por Márcia Pelá, reuniu as convidadas Geralda Cunha, Adila Eugenia e Cida Alves para uma conversa essencial sobre misoginia internalizada. Partindo do conceito — que descreve como a sociedade patriarcal pode levar as próprias mulheres a absorverem e reproduzirem preconceitos contra si mesmas e contra outras mulheres —, as participantes discutiram em profundidade as formas pelas quais esse processo afeta a vida cotidiana e a autoestima feminina.

Como a Misoginia Internalizada se Manifesta

As convidadas destacaram que esse tipo de preconceito costuma se revelar em comentários ou atitudes que desvalorizam as conquistas femininas, reforçando estereótipos de gênero. Muitas vezes, essas falas aparecem sob a forma de “brincadeiras” ou críticas que questionam a capacidade ou a autonomia das mulheres, minando a solidariedade feminina.

Violência Digital e a Internet como Campo de Batalha

A conversa ampliou o foco para a violência digital, evidenciando que a internet, ao mesmo tempo em que oferece possibilidades de voz e engajamento, também intensifica discursos de ódio e assédio contra mulheres. De acordo com pesquisas, 58% das meninas e jovens já foram alvo de assédio virtual, enquanto 70% das mulheres relatam ter presenciado ou sofrido comentários e ameaças misóginas online.

Desmistificando o “Feminismo é Mimimi”

Outro ponto forte do diálogo foi a desconstrução do rótulo de que “feminismo é mimimi”. Geralda, Adla e Cida ressaltaram que o feminismo, ao contrário de ser um conjunto de queixas infundadas, busca efetivamente a equidade de direitos e oportunidades, denunciando práticas que historicamente silenciaram ou subjugaram mulheres.

Caminhos para a Superação

As convidadas também destacaram ações práticas para superar a misoginia internalizada:

  • Autoconhecimento e reflexão: Identificar padrões culturais que moldam as crenças pessoais;
  • Sororidade: Fortalecer redes de apoio mútuo, incentivando o diálogo aberto e a troca de experiências;
  • Ativismo: Denunciar perfis ofensivos, participar de campanhas e criar projetos que promovam a igualdade;
  • Cuidado na Internet: Adotar práticas de segurança digital, como senhas robustas e denúncia de conteúdo abusivo.

Em resposta ao cenário de violência online, a ACCA lançou o desafio “7 Dias Sem Ódio”, vinculado à campanha “Corte o Ódio, Conecte Igualdade”. A iniciativa visa denunciar perfis ofensivos, fortalecer práticas de segurança digital e disseminar informações sobre como reconhecer e combater discursos de ódio na internet. Um e-book com instruções práticas foi disponibilizado, oferecendo um passo a passo para navegar na rede de forma mais segura e consciente.

Sororidade, Corpo Feminino e Acessibilidade: Segundo Episódio

No segundo encontro, intitulado “Troca de Saberes: Cultivando Afetos e Tecendo Autonomia”, as convidadas Iarle Sousa Ferreira, Rosângela Soares Campos e Flávia de Almeida Pinheiro, sob mediação de Márcia Pelá, trouxeram uma perspectiva coletiva e interdisciplinar, estruturada em três pilares:

  1. Sororidade
    Encarada como cooperação sincera e horizontal entre mulheres, a sororidade fortalece vozes e garante ações mais duradouras. Para Rosângela, essa união cria um “escudo social” capaz de enfrentar as desigualdades de gênero.
  2. Corpo Feminino
    Definido como um território de decisão, o corpo feminino deve ser livre de julgamentos e imposições. Isso abrange desde a liberdade reprodutiva até a escolha sobre a própria aparência, ressaltando o rompimento de estigmas e a garantia de autonomia plena.
  3. Acessibilidade
    Mulheres com deficiência enfrentam índices maiores de violência — inclusive virtual — e, muitas vezes, são invisibilizadas nos debates sobre direitos femininos. Dados da ONU apontam a urgência de ações que promovam a participação efetiva e inclusiva em todos os espaços.

Um exemplo concreto dessas reflexões foi o projeto de extensão “Troca de Saberes entre Mulheres”, que estimula rodas de conversa e encontros em que relatos pessoais se convertem em mobilização coletiva, ampliando o repertório de iniciativas de resistência e apoio mútuo.

A força do ativismo e os próximos passos

Os exemplos acima mostram que a autonomia feminina é construída dia após dia, em múltiplas frentes. Seja no combate à violência, na mudança de mentalidades ou na afirmação através da arte, existe um fio condutor: a mobilização coletiva e a perseverança das mulheres. No Brasil atual, essa mobilização também passa por enfrentar retrocessos. A Proposta de Emenda à Constituição 164/12, por exemplo, foi classificada como “um retrocesso grave para os direitos das mulheres no Brasil” por entidades feministas, pois ameaça conquistas importantes da autonomia feminina. Diante de desafios assim, a resposta tem sido clara: não aceitar, mobilizar-se e lutar.

Cada campanha de conscientização, cada live educativa, cada prêmio que eleva o trabalho de mulheres e cada rede de apoio criada faz parte de um panorama maior de transformação social. Ainda há muito por fazer para que mulheres de todas as origens tenham plena autonomia sobre suas vidas e corpos, mas os passos dados até aqui já iluminam um caminho. O conhecimento é um grande aliado nessa jornada – não por acaso, a ACCA reforça a ideia de que conhecimento liberta. Informar-se sobre igualdade de gênero, reconhecer as desigualdades existentes e aprender com as experiências umas das outras são atitudes que empoderam e catalisam mudanças.

Em meio a obstáculos antigos e novos, a autonomia feminina segue como uma construção coletiva e contínua. E a sociedade só tem a ganhar quando mulheres ocupam com liberdade todos os espaços que lhes pertencem por direito – na cidade, na cultura, na arte, na política e onde mais desejarem. Cada conquista individual reverbera e pavimenta o caminho para as próximas gerações. Como demonstram as vozes destacadas pela Cultura, Cidade e Arte, a união e a resistência das mulheres estão escrevendo uma história de autonomia cada vez mais forte, em que o apoio mútuo vence o ódio e abre alas para um futuro mais igualitário e justo.


Assista aos Episódios e Saiba Mais

Para mais detalhes, acesse o site da ACCA – Cultura, Cidade e Arte.

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A partir de 14 de abril, o programa “ACCA: Autonomia Feminina” terá episódios de segunda a quinta-feira no canal do YouTube da ACCA.
Acesse: Canal ACCA no YouTube

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AUTONOMIA FEMININA: DA CONSCIÊNCIA À AÇÃO – REFLEXÕES E APRENDIZADOS

Em março, a ACCA lançou a campanha “Autonomia Feminina: Da Consciência à Ação”, que vai além da comemoração do Dia Internacional da Mulher, incentivando reflexões sobre escolhas profissionais, relacionamentos, direitos sobre o próprio corpo e participação política.

Para promover esse diálogo, foram realizadas duas edições do programa ACCA: Autonomia Feminina, mediadas por Márcia Pelá. No primeiro episódio, com Adila Eugênia, Cida Alves e Geralda Cunha, o foco foi a misoginia internalizada – como séculos de condicionamento patriarcal levam mulheres a desvalorizar a si mesmas e a outras – e a violência digital, com dados que apontam que 58% das meninas e jovens já sofreram assédio virtual e 70% das mulheres presenciaram ou vivenciaram ataques de ódio. Em resposta, foi lançado o desafio “7 Dias Sem Ódio”, incentivando denúncias e o fortalecimento de redes de apoio online.

No segundo episódio, “Troca de Saberes: Cultivando Afetos e Tecendo Autonomia”, Iarle Sousa Ferreira, Rosângela Soares Campos e Flávia de Almeida Pinheiro discutiram a importância da sororidade, do corpo feminino como espaço de decisão e da acessibilidade, destacando como relatos pessoais podem originar soluções coletivas por meio do projeto “Troca de Saberes entre Mulheres”.

A campanha ressalta que a autonomia feminina depende de informação, apoio institucional e diálogo. Inspiradas por essas discussões, muitas mulheres passaram a denunciar abusos e a criar grupos de apoio. A ACCA anuncia que, a partir de 14 de abril, o programa terá episódios de segunda a quinta-feira no YouTube, abordando temas como saúde mental, legislação e estratégias de desenvolvimento para construir uma sociedade mais justa.

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Mulheres de Goiás: Autonomia Feminina em Foco

Mulheres de Goiás estão promovendo uma revolução silenciosa em busca de autonomia e transformação.
Elas estão se organizando em coletivos que promovem uma nova visão sobre o que significa ser mulher na sociedade atual.
Em uma live inspiradora, a Associação Cultura, Cidade e Arte (ACCA) reuniu vozes femininas para discutir temas cruciais como a misoginia internalizada, a força da sororidade e o papel do corpo feminino na luta por direitos.
Essas conversas abertas são fundamentais para desmistificar preconceitos e cultivar um ambiente de respeito e empoderamento.
Com experiências compartilhadas e ações práticas, essas mulheres estão desafiando estereótipos e construindo redes de apoio.
Através de oficinas, palestras e grupos de discussão, as participantes estão criando um espaço seguro onde podem expressar suas preocupações e esperanças.
Venha descobrir como a troca de saberes e a solidariedade podem impulsionar mudanças significativas na vida das mulheres e na sociedade.
Conecte-se com iniciativas locais e faça parte desse movimento transformador que está tocando a vida de muitas.
Não perca essa oportunidade de se engajar!.
Junte-se a nós e faça parte dessa mudança essencial, onde cada voz conta.

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8M: Reflexão e Ação – Troca de Saberes e a Luta pela Autonomia Feminina

O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, é mais do que uma data de celebração; é um marco histórico de luta e resistência por igualdade de gênero. Neste contexto, a ACCA (Associação Cultura, Cidade e Arte) promove a campanha “Autonomia Feminina: Da Consciência à Ação”, ressignificando o 8M e convidando à transformação social.

A campanha destaca a importância da autonomia feminina, abrangendo o poder de decisão sobre o próprio corpo, profissão, relacionamentos e participação política. Um dos pilares dessa campanha é a live “Troca de Saberes: Cultivando Afetos e Tecendo Autonomia”, que acontece no dia 13 de março, às 19h, no canal do YouTube da ACCA.

A live é o ponto culminante da campanha e promove um diálogo enriquecedor sobre o poder dos saberes femininos, a troca de experiências como ferramenta de transformação e o fortalecimento de redes de apoio. Participam da live:

Iarle Sousa Ferreira: Professora de Filosofia do IFG e militante feminista.
Rosângela Soares Campos: Professora de Educação Física do IFG, com pesquisa em empoderamento feminino através do esporte.
Flávia de Almeida Pinheiro: Professora de Matemática do IFG, com atuação em projetos de apoio a mulheres em vulnerabilidade.
Mediação: Márcia Pelá.
O projeto “Troca de Saberes entre Mulheres, Cultivando Afetos e Tecendo Ações”, coordenado pela Professora Iarle Sousa Ferreira, do IFG, é um exemplo inspirador de como a união entre mulheres pode gerar transformação. O projeto promove o diálogo entre saberes acadêmicos e populares, criando um espaço de “interconhecimento” para o enfrentamento da violência misógina.

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