Do Estúdio ao Blog: Feminismo como Direitos Humanos com Edwiges Carvalho

Do estúdio ao Blog: “Feminismo como Direitos Humanos” com Edwiges Carvalho Corrêa | ACCA

Do Estúdio ao Blog transforma as conversas do programa ACCA, Autonomia Feminina em textos que aprofundam contextos, conceitos e ações. Neste episódio, Edwiges Carvalho Corrêa dialoga com Márcia sobre por que o feminismo deve ser encarado como pauta de direitos humanos, e como agir localmente.

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O feminismo como direitos humanos não é apenas um slogan, é uma reivindicação histórica para que mulheres, em especial as mais vulnerabilizadas, tenham acesso a direitos plenos, proteção e participação política. Edwiges Carvalho Corrêa traz neste episódio uma leitura que atravessa história, teoria e prática.

Feminismo é Direitos Humanos: por que essa afirmação importa

Logo no início da conversa, Edwiges retoma um ponto fundamental: o feminismo nasce como resposta a violações de direitos humanos. Direitos políticos negados, violência doméstica naturalizada, ausência de autonomia econômica e controle dos corpos das mulheres são apenas alguns exemplos históricos.

Para ela, pensar feminismo é pensar Estado, legislação, educação, segurança pública e bem-estar social. “Quando falamos de feminismo, estamos falando da garantia de direitos básicos.

“Se estamos falando de vida digna para mulheres, estamos falando necessariamente de direitos humanos.”

Edwiges relembra que, ao longo dos séculos, os direitos das mulheres não avançaram naturalmente, foram fruto de luta, organização e enfrentamento político. “A história das mulheres é uma história de resistência.”

A importância da interseccionalidade

Um dos pontos centrais da fala de Edwiges é a interseccionalidade, conceito que analisa como opressões se sobrepõem. Ser mulher não define, por si só, a experiência de vida. Raça, classe, território, sexualidade, idade e deficiência cruzam essas vivências.

Uma mulher negra vive desafios diferentes de uma mulher branca. Uma mulher periférica vive riscos diferentes de uma mulher do centro. Uma mulher indígena vive realidades que o feminismo branco não conhece.

A interseccionalidade, para Edwiges, é crucial porque impede que o feminismo se torne elitista ou excludente. Ela amplia a escuta, complexifica os debates e exige políticas públicas que alcancem todas.

O feminismo como prática cotidiana

Outro ponto destacado é que o feminismo não se limita a teorias ou debates acadêmicos, ele se faz no cotidiano, nas decisões diárias, na criação de redes de apoio e na luta política local.

Edwiges descreve ações que todas podem realizar:

  • Participar de coletivos e grupos feministas,
  • Apoiar iniciativas de mulheres empreendedoras,
  • Denunciar e combater violências de gênero,
  • Promover rodas de conversa e formação em escolas e comunidades,
  • Defender políticas públicas voltadas para mulheres,
  • Questionar discursos misóginos em espaços familiares e sociais.

O feminismo se constrói com atitudes, e não apenas com discursos.

A disputa por narrativas e espaços políticos

A conversa avança para a importância de disputar narrativas, quem conta a história? Quem define o que é moral? Quem tem poder de fala?

“O patriarcado sempre contou a história das mulheres. Agora é hora de nós contarmos a nossa.”

Edwiges fala da urgência de mais mulheres em espaços formais de poder, câmaras, conselhos, secretarias, movimentos sociais e universidades.

“Democracia sem mulheres não é democracia completa.”

Educação como pilar dos direitos humanos

Para Edwiges, nenhuma transformação é possível sem educação. Ela defende escolas que abordem igualdade de gênero, respeito e consciência crítica, não como doutrinação, mas como formação cidadã.

Educar para direitos humanos é educar para existir com dignidade.

O papel da dor, da memória e da cura

Assim como outros episódios da série, esta conversa lembra que a dor não é apenas sofrimento, é também memória e força política. Quando mulheres compartilham suas histórias, rompem o isolamento e constroem bases de solidariedade.

A cura é coletiva. A autonomia também.
Nenhuma mulher caminha sozinha.

Assista aos episódios completos

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