7 DE DEZEMBRO
Mulheres Vivas
Enquanto mulheres morrerem pelas mãos de homens, a sociedade inteira é responsável — e coautora — desses crimes.
Nos últimos dias, o Brasil assistiu a uma sequência de episódios de violência contra mulheres que expôs, mais uma vez, a falência das nossas estruturas de proteção.
Entre eles, o caso da jovem que teve as duas pernas amputadas após ser brutalmente ferida por um homem — e o feminicídio da mulher assassinada a caminho da natação. Não são exceções, não são tragédias isoladas, não são acidentes. São parte de uma engrenagem que opera todos os dias, em todas as regiões, e que tem um alvo muito claro: mulheres.
Apesar do consumo crescente de notícias sobre violência e de dados alarmantes que se acumulam ano após ano, há um país inteiro se movendo. E no dia 7 de dezembro, essa mobilização toma as ruas: o chamado nacional por Mulheres Vivas.
O Enquadramento Que Mata
Precisamos falar também sobre como esses crimes continuam sendo enquadrados — muitas vezes, ainda hoje, tratados como “crimes passionais”, como se fossem respostas emocionais, humanas, justificáveis. Isso também mata mulheres.
Crimes contra mulheres ainda são narrados como se fossem crimes contra a honra dos homens. Isso precisa acabar.
Precisamos de leis que criminalizem a misoginia, porque misoginia é motor de violência. Precisamos de iniciativas que discutam masculinidades dentro das escolas, porque é ali que se formam meninos — e também violências. Precisamos de uma mudança estrutural, porque a violência é estrutural.
O Imaginário Que Autoriza
E a cada semana fica mais evidente como essas estruturas se manifestam também dentro das relações afetivas. O país inteiro discutiu, recentemente, o caso do influenciador conhecido como “calvo da Campari”, que agrediu a namorada porque ela não quis transar com ele.
Esse episódio expôs algo maior que a agressão em si: o imaginário masculino que ainda vê mulheres como extensão de seus desejos, como objetos disponíveis, como corpos sem vontade própria.
Isso nos leva a perguntas urgentes:
Por que tantos homens interpretam frustração como motivo para violência?
Por que o desejo masculino ainda é tratado como direito, e o das mulheres como concessão?
Por que a recusa feminina ainda é vista como afronta?
Quantos homens ainda acreditam que têm posse sobre o corpo e a vida das mulheres?
A sociedade não pode tratar figuras como essa como entretenimento, nem seus comportamentos como normais. Quando relativiza, minimiza ou ri, participa da violência. Ela autoriza. Ela legitima.
E as mulheres pagam a conta.
Por Que o Dia 7 de Dezembro Importa
Porque não é um ato individual — é um chamado nacional. É o Brasil dizendo, finalmente, que não aceita mais perder mulheres.
7 DE DEZEMBRO
TODAS NAS RUAS. MULHERES VIVAS.
A mobilização é nacional. A resposta precisa ser coletiva. E cada organização, coletivo, grupo e mulher tem um papel nessa rede.
O Papel da ACCA
A ACCA está nessa mobilização porque acreditamos que a autonomia feminina é estrutura de proteção.
Cada curso que oferecemos, cada roda de conversa que promovemos, cada mulher que apoiamos em sua jornada profissional é um ato de resistência contra essas estatísticas. É uma mulher a mais com ferramentas para preservar sua vida.
A violência de gênero é estrutural — mas nossa resposta também precisa ser. Precisamos de políticas públicas robustas, sim. Mas também precisamos de cada gesto de solidariedade entre mulheres, de cada oportunidade de trabalho criada, de cada espaço seguro construído.
E Você? Onde Estará no Dia 7 de Dezembro?
Se você é de coletivo, organização ou movimento:
Divulgue a mobilização, organize ações locais, fortaleça a rede.
Se você é mulher:
Vá às ruas, vista roxo, compartilhe este texto, converse com outras mulheres, fortaleça quem está ao seu lado.
Se você é homem:
Esteja ao lado das mulheres, questione seus pares, mude comportamentos, assuma responsabilidade.
Se você é comunicadora:
Amplifique as vozes feministas, pare de romantizar violência, chame feminicídio pelo que é.
Se você é educadora:
Leve esses debates para a sala de aula, forme meninos e meninas para a equidade.
Porque nenhuma de nós estará segura até que todas estejamos.
Porque a violência só acaba quando a sociedade inteira se mobiliza.
Porque mulheres vivas não é um pedido — é um direito.
Compartilhe este artigo e seja parte desse movimento de defesa das nossas VIDAS!





