Corpos Vivos: Nutrição e Saúde Feminina
Com a nutricionista Laiza Carvalho, discutimos como a alimentação impacta hormônios, saúde mental, emoções e autonomia das mulheres.
Vivemos em um mundo cercado por alimentos ultraprocessados que prometem praticidade, mas produzem desequilíbrio hormonal, ansiedade, depressão e adoecimento físico. Quando o acesso a frutas, verduras e alimentos de verdade é negado, somos empurradas para dietas que minam nossa autonomia. Neste episódio do programa Autonomia Feminina, a nutricionista Laiza Carvalho nos convida a pensar a nutrição como gesto político, cuidado de si e ferramenta de liberdade.
Quem é Laiza Carvalho
Desde jovem, Laiza buscava uma profissão que lhe permitisse cuidar das pessoas. Sua trajetória passou pelo interesse em biologia e medicina até encontrar na nutrição o campo onde poderia unir ciência, cuidado e transformação social. A relação com a terra e com a horta familiar marcou seu olhar sobre os alimentos como algo vivo, e não como mercadoria.
Hoje, sua prática é voltada para a compreensão da alimentação como parte de um sistema que envolve emoções, hormônios, rotina, cultura e condições materiais de vida.
Alimentação, hormônios e saúde mental
Os alimentos que chegam à nossa mesa passam por processos industriais que incluem agrotóxicos, conservantes e aceleradores de maturação, muitos deles considerados disruptores endócrinos. Esses elementos interferem diretamente no funcionamento hormonal, impactando ciclos menstruais, TPM, menopausa, humor e níveis de ansiedade.
Segundo Laiza, carências nutricionais produzem desregulação hormonal, afetando também o intestino e a absorção de nutrientes. Isso cria um ciclo de adoecimento físico e emocional, que muitas vezes é confundido apenas com “falta de força de vontade”.
Ansiedade, sono e serotonina
A alimentação influencia diretamente a produção de neurotransmissores como a serotonina e a melatonina. Alimentos ricos em triptofano — como banana, aveia e oleaginosas — contribuem para o equilíbrio do humor e para um sono reparador.
Pequenas mudanças cotidianas, como substituir doces ultraprocessados por combinações simples e naturais, podem melhorar significativamente a disposição emocional.
Inflamação, intestino e comida real
Problemas como inchaço, gases e dores recorrentes podem estar associados à inflamação intestinal. Glúten, lactose e açúcar, embora não sejam vilões universais, podem ser gatilhos para muitas pessoas. A avaliação individual é essencial.
Alimentos anti-inflamatórios como frutas vermelhas, peixes ricos em ômega-3, gengibre, hortelã, chás naturais e hortaliças ajudam a restaurar o equilíbrio do organismo. Montar uma pequena horta doméstica é também uma forma prática de reconectar corpo e alimento.
Contra as dietas milagrosas
Laiza alerta para o perigo do imediatismo. Dietas restritivas e medicamentos usados sem acompanhamento levam à perda de massa muscular, carências nutricionais e efeito rebote. A obesidade é uma doença multifatorial e exige abordagem multidisciplinar.
O emagrecimento saudável é processo, não atalho. Assim como um bebê aprende a andar em etapas, o corpo também precisa de tempo para se reorganizar.
Comer é autonomia
“Nutrição consciente é gesto de autonomia. Comer é resistir. Respeitar o corpo é resistir ao sistema que lucra com a nossa doença.”
A alimentação impacta a disposição, o humor, o trabalho e as relações. Quando uma mulher se alimenta bem, amplia sua capacidade de escolha, ação e presença no mundo. Cuidar do corpo é também um ato político.
🎧 Ouça os Episódios Completos
Episódio 37: Corpos Vivos – Parte 1 Episódio 38: Corpos Vivos – Parte 2Fortaleça Vozes que Transformam Conhecimento em Autonomia
O programa Autonomia Feminina existe para descentralizar o conhecimento científico e torná-lo acessível. Apoiar essa iniciativa é fortalecer redes de cuidado, educação e transformação social.
Conheça a ACCAAcesse mais conteúdos em: culturacidadeearte.org





