Quando o mundo chama de “atípico” aquilo que só precisava ser acolhido
Existe uma violência silenciosa em tudo aquilo que a sociedade insiste em chamar de “normal”.
Existe um modelo esperado de desenvolvimento. De comportamento. De linguagem. De maternidade. De mulher. De criança. De família.
E tudo aquilo que escapa desse padrão costuma ser atravessado por julgamento, culpa, medo e solidão.
A maternidade que o mundo insiste em julgar
A maternidade atípica não nasce apenas de um diagnóstico.
Ela nasce também da ausência de rede de apoio. Da sobrecarga permanente. Do abandono estrutural do cuidado. Da exaustão emocional de mulheres que vivem tentando equilibrar amor, sobrevivência e saúde mental.
São mães que aprendem a viver em estado constante de alerta enquanto o mundo continua exigindo produtividade, equilíbrio e força.
E talvez uma das maiores violências seja justamente essa: esperar que mulheres deem conta de tudo sozinhas… e ainda chamá-las de guerreiras quando elas sobrevivem.
Mas existem mulheres transformando a própria travessia em acolhimento coletivo.
Mulheres que decidiram transformar a dor em escuta. O cansaço em rede. A sobrevivência em luta.
Lorena Clavery é uma delas.
Mãe da Esther, estudante de serviço social e presidente da Associação das Mães Atípicas do Estado de Goiás, Lorena escreveu o texto a seguir a partir das contradições, dores e descobertas que atravessam a maternidade atípica.
Atípica
“Atípica: um adjetivo que descreve algo ou alguém que se afasta do que é considerado típico, comum, normal ou característico.”
E o que é normal?
Quem definiu um padrão, ou como você deve ser e como ser…
No agir, no pensar e no falar…
Maternar já é difícil.
Você ter que criar, educar e se responsabilizar por alguém.
Imagina um maternar atípico.
Quanto peso, cobrança e culpa não vêm junto com um diagnóstico.
Porém, se libertar das amarras do julgamento é libertador.
Se empoderar de quem você é.
E ainda mais: saber que você é prioridade e cuidar de si, para assim poder cuidar do outro.
Se ame.
Procure ajuda se necessário.
Só não desista de você mesma.
Pois tem alguém te observando e desejando que você seja feliz em meio a todo esse caos e loucura que é a maternidade atípica.
Lorena Clavery é mãe da Esther, estudante de serviço social e presidente da Associação das Mães Atípicas do Estado de Goiás (AMAG).
Através da escuta, do acolhimento e da luta coletiva, a associação atua no fortalecimento de mães atípicas, compartilhando informação, orientação e apoio para mulheres que muitas vezes enfrentam a sobrecarga do cuidado de forma solitária.
Para acompanhar o trabalho da Lorena: @maternandootea
Para conhecer a Associação das Mães Atípicas do Estado de Goiás: @amag.goias
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