Somos todas rosas por Rosilene Gonçalves | Crônicas Feministas

Somos Todas Rosas | Crônicas Feministas | ACCA
Crônicas Feministas · ACCA
Imagem da crônica
Rosilene Gonçalves de Oliveira
Educadora · Escritora

SOMOS TODAS ROSAS

Por Rosilene Gonçalves de Oliveira
03 de abril de 2026 Crônicas Feministas ACCA
Uma crônica sobre resistência, coletividade e o florescer das mulheres mesmo em contextos adversos.

Somos todas Rosas, ainda que nem sempre nos deixem florescer. Crescemos, muitas vezes, em terrenos áridos, onde o sol é forte demais e a água quase não chega. Ainda assim, insistimos. Há algo em nós que resiste — talvez seja raiz, talvez seja memória, talvez seja essa força antiga que atravessa gerações de mulheres que vieram antes de nós.

Aprendi cedo que ser mulher é também aprender a lutar. Não apenas contra o mundo lá fora, mas contra silêncios impostos, contra medos herdados, contra limites que nunca deveriam ter existido. Mas também aprendi, dentro de casa, que é possível viver diferente. Meu pai, homem simples, mas de gestos grandiosos, dividia tarefas, cuidava da casa, ensinava, pelo exemplo, que igualdade não é discurso — é prática diária. E foi assim que, entre panelas, conversas e ensinamentos, fui entendendo que nós, mulheres, podemos ocupar qualquer lugar.

Somos todas rosas porque também temos espinhos.

E eles não estão ali por acaso. São defesa, são proteção, são história. Cada espinho carrega uma dor enfrentada, uma injustiça vivida, uma violência combatida. Mas, ainda assim, seguimos florescendo. Porque ser rosa não é ser frágil — é ser resistência disfarçada de beleza.

No meio do caminho, encontramos outras mulheres. E quando nos encontramos, algo muda. A palavra circula, o silêncio se quebra, a dor encontra acolhimento. Na rádio comunitária, por exemplo, nasce o espaço da voz. Ali, no programa “Vida de Mulher”, tantas histórias ganham forma, tantas verdades encontram coragem para existir. Mulheres que antes não eram ouvidas passam a falar, denunciar, refletir, sonhar. E isso transforma. Porque quando uma fala, muitas se reconhecem.

Também nos organizamos. No Conselho da Mulher, aprendemos que lutar juntas é mais forte. Discutimos políticas públicas, reivindicamos direitos, denunciamos ausências. Porque sabemos que não basta resistir — é preciso transformar. E transformar exige presença, voz e coragem.

Mas nem sempre é fácil. Há cidades que ainda carregam o peso de velhas estruturas, onde o poder se repete nas mesmas mãos, onde o novo encontra barreiras. Lugares onde a política, por vezes, não serve ao povo, mas a interesses. E é nesse cenário que muitas de nós seguimos, tentando fazer diferente, criando brechas, plantando mudanças.

Entre tantas histórias, há também a mulher que cria seus filhos sozinha. A mãe solo que acorda cedo, enfrenta o mundo e, mesmo cansada, não desiste. Nela há uma força silenciosa, uma dignidade que não se curva. Ela é raiz profunda, é flor que insiste em nascer mesmo quando o chão parece duro demais.

E é nesse caminhar que o cuidado também se torna essencial. Cuidar da mente, do coração, das emoções. Como Psicopedagoga e Terapeuta Comunitária, compreendo que escutar é um ato de amor. Criar espaços de acolhimento para mulheres e adolescentes é também plantar sementes de cura. Porque ninguém floresce sozinho.

No fim, “Somos Todas Rosas”. Diferentes cores, diferentes histórias, diferentes formas de existir. Mas unidas por algo maior: a coragem de continuar. Este não é apenas Uma crônica, é um convite. Um chamado para que outras mulheres contem suas histórias, escrevam suas dores, celebrem suas conquistas.

Que cada uma reconheça em si a beleza que carrega, mas também a força que sustenta. Que não tenham medo dos espinhos, pois eles também fazem parte da flor. E que, mesmo diante das dificuldades, nunca deixem de florescer.

Porque somos muitas. Porque somos fortes. Porque somos, todas nós, ROSAS.

Mini bio

Rosilene Gonçalves de Oliveira
Formação: Pedagogia/Biologia, Especialização: Psicopedagogia e Orientação e Gestão Escolar; Mestrado: Ciências da Educação; Terapeuta Comunitária Integrativa. Professora Psicopedagoga na E.E.F Abigail Marques – Independência CE; Escritora e produtora de conteúdos radiofônicos na Rádio Comunitária FM 104,9 Independência CE.

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