Autoestima e Imagem Corporal com Sabrina Dantas | Do Estúdio ao Blog

Autoestima e Imagem Corporal, com Sabrina Dantas | ACCA
Do Estúdio ao Blog
Conversas sobre autonomia, direitos e transformação social que continuam para além do estúdio.
Corpo e autoestima

Autoestima e Imagem Corporal

Adoecer para caber num molde que nunca foi feito para você não é vaidade nem fraqueza: é o efeito de uma indústria que lucra com a sua insegurança.

Sabrina Dantas e Márcia Pelá durante a gravação do programa Autonomia Feminina, ACCA
Sabrina Dantas e Márcia Pelá durante a gravação do programa Autonomia Feminina, ACCA.

Autoestima não é sobre vaidade, é sobre existir com dignidade.

Do documentário do episódio

Quem decide o que é belo? A pergunta parece leve, mas sustenta uma engrenagem pesada: todos os dias, mulheres adoecem tentando caber num molde que nunca foi feito para elas. O documentário do episódio é direto ao dizer que autoestima não é futilidade, é saúde pública, é política, é direito. E que existe uma indústria multibilionária lucrando com a insegurança que ela mesma fabrica. É essa lógica, e não a vaidade de cada uma, que a conversa com a Dra. Sabrina Dantas ajuda a desmontar.

Biomédica, professora universitária, doutora e pesquisadora, Sabrina trabalha com estética desde 2011. Ela traz um conhecimento profundo de anatomia, fisiologia e bioquímica para um propósito preciso: usar a ciência a favor da saúde, do bem-estar e da autoestima, e não a serviço de um padrão impossível.

O conceito

Padrão de beleza não é um gosto natural, é uma construção de mercado. O molde atual, de cabelo liso, corpo magro, pele branca, altura e juventude, exclui a maioria das mulheres brasileiras e transforma a diferença em defeito a ser corrigido, e a insegurança em consumo.

Conformar-se: o corpo como molde

Sabrina escolhe uma palavra para nomear o problema: conformar. Entrar numa forma para ser aceita, para conseguir um emprego, um lugar, e não para gostar de si. O preço é alto: ao perseguir o padrão, afinando o nariz, alisando o cabelo, muitas mulheres vão perdendo a própria identidade. Para ela, a beleza vem da harmonia, e uma mulher de sessenta anos querendo parecer de vinte não é o belo, é a demonstração de um desconforto.

“As mulheres estão perdendo a própria identidade para caber num padrão.”

Nesta série: é o mesmo corpo-território de que falam a nutricionista Laiza Carvalho e a educadora física Renata Silva. Como lembra Silvia Federici, o corpo da mulher foi transformado em propriedade e em fonte de lucro. A ditadura da estética é uma das faces atuais desse controle.

Ser humano ou mercadoria

Quando a estética vira só negócio, adverte Sabrina, o profissional que vende exagero quer apenas vender, e o dinheiro joga a ética no chão. O resultado são as caricaturas, os corpos transformados em avatar, como se a pessoa pegasse um filtro de rede social e quisesse virar aquilo que não existe. A beleza inatingível não é bela, e persegui-la é entrar num buraco sem fim, que adoece a saúde mental.

O conceito

Estética científica, ou regenerativa, parte de outra lógica. Numa era pós-genômica, em que se conhece a necessidade de cada célula, o trabalho não é sobre a superfície da pele, e sim sobre o que está dentro dela: busca-se saúde, e a beleza vem como consequência. É um cuidado integrativo, feito com exames e em parceria com outros profissionais.

“Eu busco entregar saúde, não busco entregar apenas beleza.”

Quem pode aplicar, e por que a formação importa

A estética nasceu dentro da medicina, mas as disciplinas básicas circulam também em enfermagem, farmácia, biomedicina e odontologia, e cada profissão tem hoje a sua regulamentação. O que garante segurança, insiste Sabrina, não é o diploma isolado, é a especialização e a curva de aprendizagem, que exige estudo cotidiano e experiência, não um curso relâmpago.

Não terceirize a sua beleza

Perguntada sobre quem quer se cuidar mas teme o charlatanismo e os custos altos, Sabrina começa pelo que cabe em qualquer bolso e vale mais do que qualquer procedimento.

Ação
Conselho de cientista

“Não existe pessoa bonita sem um estilo de vida saudável. Não terceirize a sua beleza.”

Sono, água, alimentação equilibrada e movimento fazem mais que qualquer procedimento, e cabem em qualquer orçamento. O que exige é disciplina.

Desconfie de marketing agressivo e de preços milagrosos. Pergunte a formação e o alvará, veja onde a pessoa estudou, e permaneça com quem faz bem.

Estética como direito, não futilidade

Márcia amplia o debate para além do rosto: pensar a estética também como reparação, no cuidado de mulheres mutiladas ou violentadas, e como saúde pública, tirando o tema da futilidade para tratá-lo como direito. Para Sabrina, tudo começa antes, no conhecimento, porque é a partir dele que a mulher se conhece, se posiciona e constrói a própria identidade. Não há milagre, e não existe terceirização da beleza: dentro do seu orçamento, o cuidado real com o corpo é uma forma de autonomia.

“Estética como direito social é estética como resistência: romper séculos de controle sobre nossos corpos.”

As falas são de Sabrina Dantas; a leitura e as conexões são da ACCA.

Informação que fortalece

Para saber mais

Informações para escolher o cuidado com o corpo com ciência, ética e autonomia.

O que é padrão de beleza?

É um conjunto de características valorizadas socialmente que se apresenta como natural, mas é uma construção histórica e de mercado, que muda com o tempo e exclui a maioria dos corpos.

O que é estética científica?

É a abordagem que cuida da saúde do organismo, de dentro para fora, entendendo que o bem-estar se reflete também na aparência, em vez de perseguir um padrão externo.

Como escolher um profissional de estética com segurança?

Verifique a formação e o registro, pergunte onde a pessoa estudou, desconfie de promessas milagrosas e de preços muito abaixo do mercado, e mantenha-se com quem entrega bons resultados.

Autoestima é assunto de saúde pública?

Sim. A autoestima afeta a saúde mental, as relações e o acesso a oportunidades, e o cuidado sério e acessível deveria ser tratado como direito, não como luxo.

Se você está vivendo uma situação de violência, a Rede Conecta reúne serviços de proteção, acolhimento e orientação para mulheres na Região Metropolitana de Goiânia.

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