Mãe Solo: Inteira, Intensa e Imensa com Michelle D’Oliveira | Do Estúdio ao Blog

Mãe Solo: Inteira, Intensa e Imensa, com Michelle D’Oliveira | ACCA
Do Estúdio ao Blog
Conversas sobre autonomia, direitos e transformação social que continuam para além do estúdio.
Maternidade e autonomia

Mãe Solo: Inteira, Intensa e Imensa

Metade dos lares brasileiros é chefiada por mulheres. Por trás do dado inédito, mães solo que acumulam turnos, ganham menos e seguem se reinventando.

Michelle D'Oliveira e Márcia Pelá durante a gravação do programa Autonomia Feminina, ACCA
Michelle D’Oliveira e Márcia Pelá durante a gravação do programa Autonomia Feminina, ACCA.

Nenhuma mulher deve ser reduzida apenas ao papel de mãe.

Do documentário do episódio

Metade dos domicílios brasileiros é hoje chefiada por mulheres. É um dado inédito, fruto de décadas de luta. Mas, na prática, mais de 11 milhões criam os filhos sozinhas, as mães solo, que já são quase 15% dos lares. Estudam mais que os homens e ainda assim ganham menos, em média 78% do salário deles; 44% das mães solo vivem com até um salário mínimo e 72% não têm nenhuma rede de apoio por perto. Por trás dos números há histórias, e a de Michelle D’Oliveira ajuda a contá-las.

Arquiteta, Michelle foi mãe solo em duas gerações diferentes: João, aos 23, e Gael, aos 40, na pandemia. Entre idas e vindas, mudanças de cidade e de país, julgamentos e recomeços, ela mostra que autonomia não é a ausência de dor, mas a coragem de se reinventar.

O conceito

Mãe solo é a mulher que cria os filhos sozinha, carregando sozinha o cuidado e a sobrecarga, sem corresponsabilidade parental. Não é o mesmo que “mãe solteira”, que fala de estado civil: mãe solo diz de quem sustenta, decide e cuida sem divisão.

Duas gerações, duas maternidades

No primeiro filho, Michelle tinha a casa cheia, pais e irmãos por perto. No segundo, estava sozinha, no isolamento da pandemia. Em ambos, veio a mesma dúvida honesta, “vou dar conta?”, e a mesma escolha de seguir. Para ela, a maternidade não é algo natural, é uma decisão, e dizer isso com naturalidade, sem culpa, já é um gesto de liberdade.

“Autonomia não é ausência de dor, é a coragem de se reinventar.”

Nesta série: é a mesma desromantização da maternidade que a psicóloga Rafaela Marciano defende e que Jéssica Piani viveu no luto perinatal. A mulher é também mãe, nunca só mãe, e nenhuma deve ser reduzida a esse papel.

A sobrecarga e a ausência

Ser mãe solo, diz Michelle, é ter quase quatro turnos e dar conta sozinha de uma demanda que seria de dois. O mais difícil não é o cansaço físico, é a carga emocional de decidir sem ninguém com quem repartir a dúvida. E há a ausência afetiva do pai, que não se resolve só com dinheiro ou presença pontual, e que os filhos sentem.

O conceito

Rede de apoio é o conjunto de pessoas e de políticas que dividem o cuidado de uma criança. Como se diz, é preciso uma vila para criar alguém. Sem rede, não existe autocuidado possível: ninguém dá o que não tem.

Autoconhecimento e a quebra do ciclo

Foi no autoconhecimento que Michelle encontrou fôlego. Com a autoobservação, aprendeu a não ser reativa: parar, respirar e observar se a raiva é algo dela ou do outro, antes de agir. É um modo de quebrar o ciclo da violência, que se repete quando a gente devolve para fora, e para os filhos, uma dor que é nossa.

“Quando a gente reativa, se separa do outro e de si mesma.”

Reinventar-se sem se anular

As dicas de Michelle partem desse exercício diário e da recusa de se abandonar no papel de mãe.

Ação
Conselho de recomeço

“Antes de reagir, pare, respire e observe: isso é meu ou é do outro?”

Cuide de si primeiro, como na máscara de oxigênio do avião: não dá para cuidar de alguém no vazio.

Ensine autonomia ao filho e busque rede, amigos, família, grupos na comunidade ou online. Ninguém precisa atravessar isso sozinha.

Reconhecer a mãe solo é justiça social

Reconhecer a maternidade solo é lutar por justiça social, saúde mental e autonomia. Isso passa por políticas públicas, creche, saúde pública, assistência psicológica, porque mães saudáveis criam filhos saudáveis. E passa pelo que Michelle chama de caminho do meio: não se abandonar, mas assumir o que apareceu, sem romantismo e sem anular os próprios sonhos, que se adaptam em vez de desaparecer.

“Eu sou uma mãe solo, mas uma mãe solo riquíssima.”

É dessa troca, entre gerações e entre mulheres, que nasce a rede de solidariedade que sustenta a autonomia. Nenhuma mãe precisa carregar a vida sozinha, e reconhecer isso é o primeiro passo para transformá-lo.

As falas são de Michelle D’Oliveira; a leitura e as conexões são da ACCA.

Informação que fortalece

Para saber mais

Informações para reconhecer a maternidade solo como questão de justiça social.

O que é mãe solo?

É a mulher que cria e sustenta os filhos sozinha, sem corresponsabilidade parental, carregando sozinha o cuidado, a renda e a carga emocional.

Mãe solo é o mesmo que mãe solteira?

Não. Mãe solteira se refere ao estado civil. Mãe solo se refere a quem exerce a maternidade sem a divisão do cuidado, independentemente de ter sido casada.

O que é rede de apoio e por que importa?

É o conjunto de pessoas e políticas que ajudam a cuidar da criança. Sem rede, não há autocuidado possível, porque ninguém consegue cuidar de outra pessoa estando no limite.

Onde mães solo podem buscar apoio?

Em grupos na comunidade, na igreja, em associações de bairro e em redes online, além dos serviços públicos de saúde e assistência social do município.

Se você está vivendo uma situação de violência, a Rede Conecta reúne serviços de proteção, acolhimento e orientação para mulheres na Região Metropolitana de Goiânia.

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