Saberes Feministas: Ciência no Território com Daysi Caetano | Do Estúdio ao Blog

Saberes Feministas: a Ciência que nasce do chão com Daisy Caetano | ACCA
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Saberes Feministas: Ciência no Território

Com a geógrafa feminista Daisy Caetano, conversamos sobre alimentação como ato político, ciência que nasce do chão e autonomia construída junto a outras. Porque alimentar-se é resistir, e ensinar é libertar.

Convidada: Daisy Caetano Série: Autonomia Feminina 05 de julho de 2026

Por que comida é assunto de autonomia

O território brasileiro sempre foi palco de disputa: latifúndios, monoculturas, cidades que crescem à custa da vida dos povos e da natureza. E, nesse cenário, foram as mulheres que sempre alimentaram a resistência, das primeiras lutas indígenas e quilombolas às trabalhadoras da Marcha das Margaridas e às cozinheiras das periferias. A comida sempre foi um ato político.

Neste episódio, Márcia Pelá recebe Daisy Caetano, geógrafa feminista, trabalhadora da educação no IFG, presidenta da Associação dos Geógrafos Brasileiros (seção Goiânia) e referência em pesquisa de gênero. Mais do que convidada, uma interlocutora antiga: foi ela, conta Márcia, quem ajudou a semear o próprio Autonomia Feminina.

“Alimentar-se é resistir, ensinar é libertar. O futuro é feminista, popular, agroecológico.”

Quem é Daisy para a Daisy: uma construção coletiva

Ela não se define no singular. Diz-se uma construção coletiva, formada por muitas mulheres, sempre em formação. Sua base é familiar e religiosa, um cristianismo de raiz popular, ligado à defesa dos direitos humanos, contra a tortura, a violência e a fome. Foi na adolescência, num momento difícil, que ela encontrou o feminismo, como ferramenta de solidariedade e de libertação.

“Sou uma construção coletiva de várias mulheres que me ajudaram a me formar.”

Do prato ao território: alimentação como ciência e política

Curiosamente, Daisy chega ao veganismo pela religião, uma promessa de um ano sem carne, e não consegue voltar atrás. A partir daí, vai estudar: alimentação sem veneno, base agroecológica, respeito à terra, à água, ao solo. Ela recusa tratar os animais como mercadoria e fala de um veganismo popular e periférico, atenta às mudanças climáticas e ao empobrecimento do solo.

Mas faz questão de ser dialógica. Entende a cultura alimentar de quem já passou fome, lembra que existe proteína vegetal, e que comer bem exige tempo, um tempo que recai sobretudo sobre as mulheres.

Como o feminismo muda a ciência

Pesquisadora, Daisy acredita na ciência e na forma como ela é construída. Citando o livro Como o Feminismo Mudou a Ciência, de Londa Schiebinger, ela mostra como tantas perguntas só passaram a existir quando as mulheres entraram na ciência: o trabalho das professoras, as doenças que afetam majoritariamente mulheres, o peso do trabalho doméstico. A ciência, diz ela, desnaturaliza o que parecia natural.

“Se a gente não tiver mulheres, inclusive feministas, na ciência, não teremos resposta para essas perguntas.”

O bloco da ação: comece pelo elementar

No segundo episódio, a conversa vira prática. E o caminho que Daisy aponta começa pelo chão, pelo cotidiano.

Autonomia Feminina • Ação
Conselho de chão

“Comece pelo elementar.”

“Não olhe o feminismo como algo distante. Práticas feministas cabem no seu dia a dia.”

“Junte-se: tem coletivo em cada bairro, em cada escola. A gente não é única.”

Para quem quer se aprofundar, Daisy indica três caminhos acessíveis: o coletivo Feminismo sem Demagogia (de base marxista), o Geledés (referência em mulheres negras e antirracismo) e o curso gratuito de feminismo da Boitempo, no YouTube. Conhecer as autoras, diz ela, é parte do caminho.

Feminismo não é privilégio: é outra lógica de vida

Daisy lembra que não há um feminismo, mas feminismos. O dela é socialista, marxista, interseccional, vindo da base e da solidariedade, atento à classe, à raça e à etnia, e que inclui as mulheres trans como irmãs. Por isso critica o feminismo liberal, aquele que mede liberdade pela bolsa ou pelo carro e não enxerga as outras mulheres.

“Feminismo não pode ser sobre comprar um carro ou uma bolsa. Tem que ser outra lógica de vida.”

Ela também recoloca a questão dos homens: a luta antimachista é também para eles, porque o machismo os adoece e os mata. E, sobre a mulher que reproduz o machismo, lembra, com Paulo Freire, que muitas vezes ela é vítima de uma estrutura, o oprimido que aprende a oprimir.

Desconstrução cotidiana e autonomia

A mudança, para Daisy, começa pelo prato, pela escola, pelo território, e principalmente pelo mundo interno. É um processo de desconstrução diária, porque fomos construídas dentro de uma lógica patriarcal. Daí o conselho que ela repete às alunas: não deixe de estudar, de fazer suas escolhas, de viver, por conta de um relacionamento. E lutar por creche e educação infantil também é luta por liberdade.

“O futuro é feminista, popular, agroecológico. Que cada refeição, cada sala de aula, cada quintal seja um ato de luta.”

É por isso que a ACCA se soma a essa corrente: para unir mulheres pelo direito à terra, à comida, à ciência e à voz. Aqui, a ciência nasce do chão, e a autonomia se constrói junto.

🌱 Sorteio Colmeia: cesta agroecológica para uma mulher da nossa rede

Marca Aliada • território, renda e comida sem veneno
Selo Marca Aliada

Nada mais a ver com esta conversa: a nossa parceria com a Colmeia continua, e tem novo sorteio. A Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC, no Assentamento Canudos, na região entre Palmeiras de Goiás, Guapó e Campestre de Goiás, é a primeira Marca Aliada da ACCA. Integrada ao MST, ela produz alimento sem agrotóxicos e mostra, na prática, que cuidar da terra é também gerar renda no território. Porque renda e território são condição coletiva, não meta individual. Mais uma mulher da nossa comunidade vai receber uma cesta agroecológica colhida por lá.

Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC
Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC, Assentamento Canudos, Palmeiras de Goiás
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Comece o seu caminho agora

A Plataforma Autonomia Com Elas nasce de uma ideia simples: ninguém se faz sozinha. Cursos, formações, e-books e conteúdos sobre cultura, autonomia e geração de renda, pensados para mulheres que constroem caminhos junto.

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