Tambor de Mulher, Força de Mestra com a mestra Geovanna Castro|Do Estúdio ao Blog

Tambor de Mulher, Força de Mestra com Mestra Geovanna Castro | ACCA
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Tambor de Mulher, Força de Mestra

Com a mestra Geovanna Castro, percussionista, arte-educadora e criadora do Couro Mulher, conversamos sobre o tambor como território de mulher, a arte que confronta ao agir e a autonomia que só se faz em rede.

Convidada: Mestra Geovanna Castro Série: Autonomia Feminina 21 de junho de 2026

Por que o tambor é assunto de autonomia

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, escreveu Simone de Beauvoir. Décadas depois, Silvia Federici mostrou como o trabalho invisível das mulheres, o de gerar e sustentar a vida, foi central para a engrenagem da exploração. Tentaram silenciar a boca, o corpo e o pensamento das mulheres. E, mesmo assim, elas existem, resistem e criam.

É dessa criação que o tambor fala. Neste episódio, Márcia Pelá recebe a mestra Geovanna Castro, percussionista, arte-educadora, artesã e criadora do Couro Mulher, numa arte historicamente ocupada por homens. Da Bahia e de Pernambuco até o coração do Brasil, ela carrega uma linhagem de mulheres que fizeram do tambor território de liberdade.

“No tambor da vida, o som das mulheres é coragem, é revolução, é esperança.”

Quem é a mestra Geovanna para a Geovanna

Nordestina, “riscafaca”, mistura de pernambucana com baiana, Geovanna se diz filha de Iansã, orixá que ela descreve não só como dona das tempestades e dos trovões, mas como mulher acolhedora, que conduz com doçura os que já se foram. Foi depois do sufocamento da pandemia, em 2020, que ela reencontrou essa ancestralidade, a terra, o mar, as mulheres negras da própria família, e se reconheceu nos tambores.

Ela vem de uma família muito machista, onde a mulher protagonista é apagada desde a infância. Por mais de vinte anos de casamento, conta, ocupou o lugar de assistente do companheiro.

“Eu me entendi o tempo inteiro como assistente dele. Não porque ele me colocasse nesse lugar, mas porque eu me colocava nesse lugar.”

Reconhecer isso foi o começo do reencontro. O machismo não é só o que vem de fora; é também o que a gente internaliza. Nomear a estrutura é o primeiro passo para sair dela.

Couro Mulher: o tambor como território de mulher

Em 2016, de volta de um trabalho em Quirinópolis, Geovanna criou o Couro Mulher. No primeiro dia, apareceram mais de cinquenta mulheres. Havia uma demanda represada, num momento em que o debate sobre violência contra a mulher ganhava força. Com parceiras como Ângela Café e Cida Alves, o grupo chegou ao carnaval de rua de mulheres em 2018.

Hoje ela é a única mestra do seu segmento em Goiás. E foi o próprio Couro Mulher que a reconheceu mestra, um título que ela levou um tempo para assumir.

“Foi o Couro Mulher que me entendeu mestra. Mestra é ter conhecimento.”

Resistir cansa. O agir confronta.

Trabalhar com cultura popular em Goiás é resistência diária. O grupo já mudou de sede sete vezes, porque a vizinhança reclama do “barulho” do tambor. Mas Geovanna recusa o lugar de coitadinha que costumam reservar à cultura popular.

“Não somos pobrinhos, feinhos e coitadinhos. Somos um espaço de resiliência, de resistência e de disseminação.”

É aqui que ela e Márcia se encontram num ponto que volta em quase todo episódio: gasta-se força demais só resistindo, provando o tempo inteiro que se é capaz. Geovanna resume de outra forma: o agir confronta. Fazer já é uma maneira de enfrentar, e de abrir caminho para as próximas. Foi o que ela disse à mestra Dalvana, do grupo Mulherada, na Cidade de Goiás: assuma o seu lugar de mestra, porque eu não serei mais a única.

O bloco da ação: a constância é o maior professor

No segundo episódio, a conversa vira método. E o conselho da mestra não tem nada de atalho.

Autonomia Feminina • Ação
Conselho de mestra

“A constância é o maior professor.”

“Não tenha medo, seja curiosa. A curiosidade traz conhecimento e enfrenta o preconceito.”

“Andamos juntas. Sozinha, eu não conseguiria ser quem eu sou.”

O método tem nome: sensibilização rítmica, ouvir, concentrar e repetir. Geovanna respeita o tempo de cada uma, não constrange ninguém e toca no meio do grupo, não à frente dele. Aprender, ali, é coletivo.

Parceria, não competição: a autonomia que se faz em rede

O fio que costura tudo é a recusa da lógica competitiva, aquela que o sistema nos ensina e que coloca mulher contra mulher. Geovanna vive da arte, toca, faz tambores, ensina, comunica, empreende, e constrói caminhos para permanecer, sempre em parceria: escolas de samba, blocos de rua, baterias universitárias, e até quem ninguém imaginaria juntar.

“A gente não faz nada sozinho.”

Com o companheiro, o mestre alemão, ela fala em companheirismo, não em submissão. E é cuidadosa ao nomear o feminismo que defende: não contra os homens, mas contra a violência. Viver da própria arte, para ela, é autonomia, e autonomia, aqui, tem sempre forma de rede.

O recado da mestra

No fim, Geovanna deixa um recado para as mulheres que a escutam: curiosidade, conhecimento e a coragem de ocupar os espaços que disseram não serem delas. Não como esforço solitário, mas de mãos dadas com outras.

“Cada batida é memória. Cada roda, semente de autonomia para o futuro.”

É por isso que a ACCA segue ao lado dessas protagonistas. Quando uma mulher bate o tambor, ela não está só fazendo barulho: está abrindo caminho.

🎤 Destrave seu Medo de Falar em Público

Encontro presencial • 27 de junho, 15h • Goiânia • entrada gratuita
Selo Marca Aliada
Realização do encontro Destrave seu Medo de Falar em Público

No dia 27 de junho acontece o encontro Destrave seu Medo de Falar em Público. Uma experiência criada para mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ que desejam fortalecer sua comunicação, ampliar sua confiança e transformar sua voz em uma ferramenta de autonomia, oportunidades e geração de renda. Mais do que aprender técnicas de oratória, será uma experiência prática, acolhedora e transformadora.

📌 Data: 27 de junho

📌 Horário: 15h

📌 Local: Holanda Centro de Educação Musical – Premium Música e Saúde

📌 Entrada gratuita mediante inscrição pelo Sympla

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Realização: Plataforma Autonomia Com Elas e ACCA, Associação Cultura, Cidade e Arte.
Marca Aliada da ACCA: Holanda Centro de Educação Musical – Premium Música e Saúde.

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