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Masculinidade: Desejo e Violência

Com Henrique Lopes, discutimos por que a violência não é “instinto”, como o desejo se organiza no inconsciente e por que reconhecer é mais efetivo do que negar.

Convidado: Henrique Lopes Série: Autonomia Feminina 07 de junho de 2026

Por que falar de masculinidade quando o tema é autonomia feminina

A autonomia feminina não existe em um vácuo. Ela é atravessada por estruturas, violências e modelos de poder que afetam o corpo, o desejo e a vida cotidiana. Quando a violência se naturaliza, ela vira destino. Quando ela é compreendida, ela pode ser interrompida.

Neste episódio, Márcia Pelá conversa com o psicanalista e escritor Henrique Lopes sobre desejo, pulsão e violência na masculinidade contemporânea. O ponto central é duro e necessário, a violência tem componente simbólico e, por isso, ela é profundamente humana.

“O homem não fala sobre sofrimento.”

Instinto não explica, o que entra no lugar é a pulsão

Henrique desmonta um argumento comum: “homem é assim por instinto”. Se fosse instinto, seria programado, automático, como acontece no reino animal. Mas a violência humana não é apenas agressividade de sobrevivência, ela inclui abuso, dominação, humilhação, apropriação do corpo e da vida do outro.

Pulsão é um conceito para pensar essa energia que circula no corpo e busca satisfação para além do biológico. A gente não come só para matar a fome, a gente come com os olhos, com o cheiro, com o excesso, com a culpa. E depois repete.

Violência, quando o símbolo entra em cena

O episódio insiste num ponto que incomoda porque é verdadeiro: violência não é “animalidade”. É produção simbólica. Ela aparece quando o sujeito se sente ofendido, humilhado, diminuído e tenta “resolver” isso destruindo o outro. Não resolve. Em muitos casos, a violência retorna para si.

“Quanto mais a gente quer manter distante esse potencial, mais perigoso é.”

O que o outro desperta em mim, desejo, ódio e projeção

Uma das chaves da conversa é reconhecer que o outro não é só “o problema”: muitas vezes, o outro desperta algo em mim que eu não quero sentir. E, quando não se suporta o próprio desejo, vira-se contra o outro, mulher, gay, pessoa negra, quem foge da norma.

Por isso, negar não resolve. Negar só empurra para a prática inconsciente. Reconhecer é um primeiro passo para fazer algo diferente, com responsabilidade.

O bloco da ação, conselhos práticos, sem romantização

No segundo episódio, a conversa vira ação: como lidar com impulsos intensos sem descarregar no outro. A ideia é simples: falar não é fazer. Nomear não é agir. A palavra pode ser um caminho de elaboração.

Autonomia Feminina • Ação
Conselho de boteco

“Se leve menos a sério.”

Nem tudo é sobre você. Nem tudo está ofendendo sua masculinidade.

Faça atividade física. Vai dançar. Descarrega essa energia em outro lugar que não na pessoa.

A virada aqui é prática: reconhecer o que você sente não é justificar violência, é impedir que o corpo vire descarga.

E tem mais: atividade física, dança, deslocamento da energia para lugares que não sejam o corpo do outro. Não é solução mágica, é cuidado mínimo para não transformar mal-estar em violência.

Escrita, poesia e elaboração, quando o horror vira linguagem

Henrique também fala da escrita como um destino possível para a agressividade: diário, poesia, palavra. Sublimar não dá conta de tudo, mas pode abrir um intervalo entre sentir e agir.

Esse intervalo é político. É civilizatório. É uma forma de impedir que o mundo vire apenas descarga.

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Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC
Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC, Assentamento Canudos, Palmeiras de Goiás
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