Palhaça, Corpo Político com Dalila Rodrigues (Mundiquinha) |Do Estúdio ao Blog

Palhaça, Corpo Político | ACCA
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Palhaça, Corpo Político

Dalila Rodrigues (Mundiquinha) fala sobre palhaçaria feminina, circo social, maternidade e o riso como ferramenta de autonomia e resistência.

Convidada: Dalila Rodrigues (Mundiquinha) Série: Autonomia Feminina 31 de maio de 2026

Quando o riso vira linguagem política

O picadeiro sempre foi marcado por hierarquias e por um imaginário masculino. Mas mulheres têm ocupado esse território e transformado a palhaçaria em voz, em crítica e em gesto de resistência. No episódio, a ACCA propõe um olhar direto: o riso não é só entretenimento, é também uma forma de disputar o mundo, a cena e o direito de existir.

“O riso como arma contra o machismo, a alegria como ferramenta de luta.”

Quem é Dalila por Dalila

Dalila Rodrigues se apresenta como uma mulher em processo de descoberta, como pessoa e como artista. Ela é produtora cultural na Escola de Circo Laheto e também é a palhaça Mundiquinha. O nariz (seu “amuleto da sorte”) acompanha cada apresentação: é símbolo de presença, coragem e identidade.

Criada “sobre a lona”, Dalila viveu desde cedo um tipo de formação que mistura prática, coletividade e autonomia: costurar lona, fazer figurino, construir personagem, aprender a se autoproduzir. E esse aprendizado vira tese central do episódio: autonomia não nasce do discurso, nasce de processo.

Crescer no circo: magia, trabalho e autonomia

O circo é lúdico e mágico, mas também é duro. Dalila descreve um cotidiano em que se aprende “um pouco de tudo”. Esse “tudo” não é improviso: é disciplina, trabalho, convivência e uma ética coletiva. Para ela, as escolas de circo, especialmente as de circo social, abriram um espaço mais acolhedor e seguro para mulheres ocuparem papéis historicamente negados.

A experiência de viver em coletivo, respeitar diversidade e conviver com diferentes identidades atravessa a formação humana tanto quanto a artística. E isso explica por que o Larretô não é só um lugar de espetáculo, é um lugar de vida.

O circo tradicional e os limites impostos às mulheres

Dalila nomeia o problema sem rodeio: ainda há um modelo de circo em que a mulher é reduzida a “adereço”, empurrada para papéis de exposição do corpo e afastada de funções de liderança e protagonismo. Nessa estrutura, a disputa por espaço vira disputa por dignidade.

E, quando a maternidade entra na equação, o mundo artístico costuma punir ainda mais: sem carteira assinada, sem garantia financeira, sem proteção de tempo e cuidado, o corpo (que é o instrumento de trabalho) vira campo de pressão.

Como nasce Mundiquinha

Mundiquinha surge depois da maternidade e de episódios que atravessaram corpo e mente. Dalila conta que, antes, seu papel era o de bailarina, e os palhaços, no circo, eram homens. A virada para a palhaçaria acontece como um processo de desconstrução e reencontro.

“A palhaçaria me salvou. Ela literalmente me salvou.”

Ser palhaça, para ela, é aceitar o humano, inclusive o ridículo, aquilo que a sociedade tenta domesticar. E transformar dores, alegrias e incômodos em arte: levar para a cena o que é vivido, e não o que é “bonito”.

Humor contra o preconceito: a cena como confronto

Dalila lembra que a comicidade foi historicamente usada para reforçar preconceitos, contra mulheres, pessoas negras, LGBTQIAPN+ e tantos outros. Mas ela escolhe operar ao contrário: usar o improviso e o riso para constranger o abuso, romper a indiferença e disputar o sentido do que é “engraçado”.

Seja em uma apresentação (quando chama a atenção de quem desrespeita a cena) ou na rua, ela usa a palhaçaria como ferramenta de correção do mundo: militância em forma de riso.

Circo social: quando uma criança volta a sonhar

No segundo bloco, Dalila fala de ação: como o circo social transforma realidades de meninas e jovens em vulnerabilidade. Ela descreve um trabalho baseado em escuta e observação, sem impor: entender a criança, seus medos, sua vaidade, sua retração e oferecer caminhos dentro da arte.

Às vezes, a mudança não é “estar em cena”. É encontrar um lugar na produção, no figurino, na organização, no coletivo. Autonomia também é isso: pertencer.

Dicas para mulheres que querem começar

Dalila deixa um conselho simples e poderoso: arrisca. Ousar, se colocar, buscar rede de apoio, criar grupos, construir lugar seguro. A formação pode começar onde dá: em cursos gratuitos, em pesquisa na internet, em prática na feira, no teatro, no encontro com outras artistas.

“O riso é um passo em direção à sua liberdade.”

Autonomia feminina: aprender fazendo, em coletivo

A autonomia que Dalila descreve não é individualista. Ela é coletiva, construída na experiência, na formação, na prática e na possibilidade de experimentar “um pouco de tudo” até descobrir afinidade. E, no circo, isso vira método: tema anual, debate com crianças, teoria e prática, espetáculo de encerramento, formação humana pelo riso.

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Selo Marca Aliada

Em junho, a ACCA aposta na renda como caminho de autonomia e apresenta sua primeira Marca Aliada, a Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC, no Assentamento Canudos, na região entre Palmeiras de Goiás, Guapó e Campestre de Goiás. Integrada ao MST, a Colmeia é uma iniciativa de agricultura regenerativa e agroecologia, referência regional na produção de alimentos sem agrotóxicos. Ali, produzir alimento é também gerar renda no território, porque renda e território são condição coletiva, não meta individual. Uma mulher da nossa comunidade vai receber uma cesta agroecológica produzida por lá.

Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC
Unidade de Produção Agroecológica Colmeia, UPAC, Assentamento Canudos, Palmeiras de Goiás

Comece o seu caminho agora

A Plataforma Autonomia Com Elas nasce de uma ideia simples: ninguém se faz sozinha. Cursos, formações, e-books e conteúdos sobre cultura, autonomia e geração de renda, pensados para mulheres que constroem caminhos junto.

Em junho, nossa programação é dedicada à renda como condição coletiva: falar de sustento é falar de quem produz, coopera e sustenta redes.

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